Quarentena prolongada e surtos virtuais

11:09:00


Hoje faz quase 8 meses que estamos de quarentena. Parece surreal quatro pessoas passando tanto tempo em casa, juntas 24/7.
As crianças principalmente, porque ainda saio para ir ao super mercado e até já fui no shopping na época do aniversário da caçula pra comprar presente, mas eles só saem no quintal e olhe lá!

A parte mais chata é o serviço doméstico que quadruplicou, o banheiro suja mais rápido, a louça suja mais rápido, a roupa então nem se fala... eu já me estressei demais com isso, mas tento segurar o máximo possível pois sei que pra ninguém está fácil.

Essa semana marido teve que voltar a trabalhar presencialmente e ver a casa sem ele me deu uma estranha sensação de normalidade. Como se de repente o vírus simplesmente tivesse *PUFF* sumido. 

Me deu vontade de ir ao shopping, de sair, de caminhar, de comer fora... relaxar com o uso da máscara, do álcool, da higienização das compras (uma das piores partes disso tudo na rotina doméstica) mas aí a realidade vem, e não... ainda temos mais de 150.000 mortos pelo Corona no Brasil, e marido estar saindo pra trabalhar é uma necessidade e também um privilégio considerando a economia como anda.

Como eu tenho passado muito tempo online, alguma coisas acabaram acontecendo e ontem à noite eu finalmente surtei. Um surto que eu não tinha desde 2016, e achei que não aconteceria mais.

Vou tentar resumir a história: Ano passado, eu conheci 3 pessoas no World of Warcraft (o jogo online que eu fico on e off desde 2005) e tudo ia bem, a gente não se falava muito, até porque eu sabia que éramos de facções diferentes e ficar "enchendo o saco" perguntando se querem fazer algo na facção que não era a principal deles ia ser muito chato.

Até que esse ano eles vieram todos pra horda e eu vi uma oportunidade de me juntar a eles já que fazia algum tempo que eu vinha jogando sozinha, e WoW com amigos é muito melhor. Através do Twitter adicionei eles na Bnet e estava feliz da vida fazendo planos de fazer conteúdo juntos.

Eu estava numa guild muito legalzinha e vendo que elas ainda queriam fazer raid eu as chamei pra essa guild, no que elas afirmaram que estavam na guild de uma amiga. A convite delas fui conhecer a tal amiga e a guild dela.

Chegando no Discord já de cara fiquei sem graça, a tal amiga (vou chamá-la de Medusa), a Medusa falava ALTO, ria ALTO e de uma forma que parecia propositalmente forçada e acabou ficando irritante depois de um tempo, a ponto de eu ter que diminuir bem o volume dela.
A sensação que eu tive era de que ela não queria estar ali, que ela estava ali porque ela recebia ATENÇÃO. Ela era um planeta e os outros eram meros satélites que orbitavam em torno dela. Tal qual aquele estereótipo de garota popular insuportável de filme americano.

Ela suspirava e reclamava O TEMPO TODO.

Eu sempre falo pra todo mundo que me acho chata, mas meu conceito mudou ao conhecê-la. Ela era outro nível, estava em outro patamar.
No Discord o ambiente era quase escolar. Não se contava piadas, não se ria naturalmente, o clima era sempre tenso e incômodo, como se não houvesse afinidade. Não era aquela bagunça gostosa de amigos jogando juntos, era uma pessoa falando uma coisa e todos repetindo, parecia uma seita cheia de gente hipnotizada. Ela não transformava as pessoas em pedra, mas em robôs lacrantes. 
Ela falava uma palavra, e todos repetiam, era estranho demais!

O Co-GM da guild era mais legalzinho, e sempre tava me mandando mensagem, por causa dele eu insisti um pouco mais. Mas uma pessoa só não era capaz de me manter ali, a presença da Medusa era tão marcante quanto um peido depois de um jato de perfume. O perfume ainda está ali, mas o peido estraga a experiência.

Continuei dando uma chance, até que descobri que por causa da Medusa, a menina que nos apresentou terminou uma amizade real de anos. 
Não vou dar maiores detalhes pois a história não é minha, mas eu a absorvi como se fosse. Eu me vi em cada detalhe que ele contou a respeito daquilo tudo, já que me lembrou a minha amizade de 11 anos que terminou por motivos bobos (eu contei em outro post) em 2019.

Somou-se essa história com as tentativas frustradas de socializar com a Medusa, a militância exagerada, a falta de afinidade, e o não conseguir me afastar naturalmente (já estava tentando há semanas!) e eu surtei. Bloqueei, desativei Twitter, mudei btag, e até mudei de número, já que sair do grupo de whats ia atrair pra mim uma atenção desnecessária. 

Mas era pra tanto? Talvez não pareça, como muita gente diz por aí: é só um jogo, deleta tudo e f*d*-se né? Mas pra mim tudo é mais complicado e eu preciso respeitar meu processo.
A quarentena só EXACERBOU minha introversão e eu que já detestava confronto, passei a fugir dele a qualquer custo.

E como mexe comigo esse tipo de coisa viu... fazia muito tempo que eu simplesmente não surtava e sumia assim. Sei que é estranho, e eu queria que fosse menos dramático, mas acho que no final das contas, nesse caso, o fim justificam os meios, minha saúde mental vem em primeiro lugar, ainda mais nas circunstâncias atuais.

Adeus Medusa!

You Might Also Like

0 comentários

Subscribe