As montanhas trovejantes e o companheiro improvável


No dia 17/01/2019 as 3 da manhã, terminando de upar minha hunter no WoW, me veio um conto a mente.
Escrevi em outro blog, que já não uso, apenas para este fim: contar histórias das minhas aventuras no World of Warcraft. Mas essa vida paralela e virtual já está tão entranhada em mim que não me convém mais separá-la. Pois aí está, um conto real baseado em uma fantasia
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Desde que deixei meu lar em Alta Montanha para explorar o então desconhecido continente de Kalimdor, tentei encontrar um companheiro leal que me acompanhasse em minhas caçadas.

Minha família vem treinando águias há gerações, e como presente de graduação da escola de caçadores, minha treinadora me presenteou com uma ave tradicional de Alta Montanha, seguindo todos os princípios ensinados por nosso líder e mentor, Lasan Chifre Celeste.

Dei-lhe o nome de Pena Marrom.

Infelizmente, nas perigosas e áridas terras estrangeiras por onde passei, Pena Marrom sofria fora de seu habitat. Preocupada com seu bem estar, decidi levá-la de volta e deixei-a repousando em meu estábulo.

Foram incontáveis dias enfrentando fome, sede, frio ou calor extremo, lutando contra monstros que por um momento me fizeram duvidar de minha capacidade e resiliência.

Pedia todos os dias a An´she forças para continuar e para que também me permitisse encontrar um companheiro fiel para minhas batalhas, que fosse tão robusto e leal como o próprio Eche´ro.

Não, não, vejam bem, não era esse tipo de companheiro que eu pedia. Ainda que não estaria nada mal um par de braços fortes me envolvendo nas noites mais frias, mas meu pedido era por um aliado  sólido e obediente que estivesse ao meu lado, que me inspirasse e trouxesse a esperança da volta ao lar.
A mesma esperança que nasce junto com o coração de cada tauren que traz em suas raízes a força de Huln.

Claro que domei vários animais preciosos ao longo da minha jornada. Dinossauros, demossauros, serpentes, aranhas, pássaros exóticos e até um unicórnio azul! haha! deixa o Chifre Celeste saber disso!


Mas An´she não me ignorou, e quando menos esperava, me respondeu.
Já vou chegar lá.

Em uma visita despretensiosa a minha velha cidade, sentei a sombra de uma árvore para descansar às margens da Curva do Rio, quando uma das anciãs da nossa tribo se aproximou. Uma exímia caçadora nos tempos de outrora, entre uma história e outra, me contou sobre uma lenda.

Disse que havia uma criatura majestosa e misteriosa que habitava as montanhas trovejantes de Stormheim, a terra dos primitivos humanos gigantes. Se assemelhava em aparência e coragem a Eche´ro, mas que nenhum tauren havia sido capaz de encontrá-lo, quanto mais domá-lo!

Apesar de ser terras vizinhas, ouvi histórias tão assustadoras sobre o lugar que o medo me impedia de cruzar os céus. Sim, Lasan talvez teria vergonha, afinal uma caçadora descendente da tribo de Chifre Celeste não deveria se deixar intimidar por histórias, mas o medo era real.

Naquela noite não consegui dormir.

Não podia deixar de pensar em como a minha jornada havia sido difícil até ali e eu merecia, sim, modéstia às favas, eu merecia aquela "caça".

A anciã me disse que se ele existisse, ele não ficaria a disposição o dia todo, ele aparecia e desaparecia rapidamente, geralmente ao atardecer, antes do sol se pôr.
Esperei até um pouco depois do meio dia, me vesti e saí. Procurei não pensar muito, para não desistir da ideia.

A viagem foi turbulenta, cheguei até o pico da montanha e não estranhei tanto a presença das cabras como estranhei a dos esquilos. Se nem árvores havia por ali?!

O lugar estava vazio, ainda bem! ou não conheciam a lenda, ou não havia mesmo concorrência.
Sentei-me e decidi preparar algo para comer, vai que ele aparece, preciso estar bem alimentada! Não sei o que me espera.

Será dócil? será agressivo? Será que ele me daria um coice que poderia me atirar ao abismo?


Foi quando escutei um ruido. O que é isso? Eu não sabia o que esperar, e estar sozinha no pico de uma montanha em Stormheim não era o que eu poderia chamar de reconfortante!

Quem se aproxima?
Foi quando como em um sonho, ele se materializou ali, bem na minha frente! eu fiquei extasiada, sem ação, cadê minha câmera? 

Ah deixa pra lá, não importa. A prova logo estará comigo. Ele existe!

E agora, ele é meu.

Aquele momentos que antecederam, agora são memórias.

Não lembro como foi, só sei que aconteceu.

O fato é que eu o tenho, a imagem e semelhança de Eche´ro, este é eterno, eterno enquanto eu viver.

Valeu a aventura, o frio, a altura e a espera.

Seu nome é Majestik, meu melhor amigo.

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