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Brasil 2020 e minha quarentena


Não saberia por onde começar a descrever o que está sendo esse início de ano pra mim. 
Caramba! parece que anos estão passando em forma de meses!

A vida como a conhecemos não é e acho que, por muito tempo, não será mais a mesma.

Não sou muito boa com dados históricos, mesmo que recentes, mas tudo parece ter começado em novembro ou dezembro de 2019 em Wuhan na China. Um tipo de vírus Corona vindo de um morcego se instalou em uma pessoa, e essa pessoa contagiou outras pessoas e rapidamente a saúde entrou em colapso na China.

Ok, coisas doidas acontecem no mundo, sempre aconteceram, mas longe da gente. Todos os filmes de tragédia que assistimos, os documentários, as historias de catástrofes acontecem o tempo todo, muito longe da gente, então eu digo por mim, me acostumei a pensar que nada disso chegaria aqui no Brasil, nós já tínhamos nossos próprios demônios: corrupção, pobreza, etc

Mas chegou. Graças a globalização e um mundo sem fronteiraas, o vírus chegou ao Brasil (e ao mundo todo) e hoje estamos oficialmente em quarentena (na minha cidade pelo menos) desde o dia 16/03
Quase 2 meses saindo de casa para ir apenas ao supermercado comprar comida e estocar. 
Saindo o mínimo de vezes possível, gastando praticamente 3 vezes mais o que costumávamos gastar em compras pois o medo do contágio me fez deixar um pouco de lado a pesquisa de preço, a leitura calma de ingredientes em relação ao custo benefício e as etiquetas que diziam em letras pequenas que se levasse três daquele mesmo item obteria algum desconto.

Poderia colocar dados sobre contagiados, mortos e recuperados, mas uma simples busca no Google vai se encarregar disso, ainda assim, apenas para fins de comparação para a próxima vez que eu volte a esse post, no dia de hoje 07/05/20, o Brasil contava com 8.588 mortos.

Além disso, soma-se ao problema uma instabilidade política que, na minha leiga opinião, se instaurou em 2002. Mas quem se importa? o Brasil tem histórico de escolher o menos pior entre os picaretas e colocar nele uma fé quase infantil.

A última vez que exerci meu "direito" de votar foi em 2002 justamente, quando numa disputa entre direita social democrata e esquerda, votei no primeiro. Decepcionada com a vitória do segundo, inconscientemente desiludida, desisti de votar, então em 2006, 2010, 2014 e 2018 escolhi nem sair de casa. Estou com o título cancelado há sabe Deus quanto tempo.

Ainda que, em 2018, mesmo sabendo que não contribuiria com meu voto, de certa forma fiquei aliviada pelo partido protagonista da maior crise de corrupção do Brasil não ter vencido, e torci para que dessa vez o Brasil experimentasse um pouco do progresso semi-liberal que eu tanto invejava nos EUA.

Mas o ego do político brasileiro é sem precedentes, e Bolsonaro esqueceu de todas as promessas de campanha e hoje ele trabalha 24/7 para proteger os filhos das garras da pífia justiça brasileira.

Igualmente se alguém me perguntar o que mais desprezo na política de Bolsonaro hoje, é o exercito de defensores cegos tal qual eram/são os Lulistas. Alguns me chamam isentona nas redes sociais, até gente que eu gostava de trocar algumas ideias, mas preferiram proteger seu político de estimação do que manter uma amizade com alguém que eles definem como "em cima do muro".

Mas eu não sou isenta, sei bem de que lado eu estou. Do meu, como cidadã, que pago impostos altos demais pra bater palma pra político que não trabalha. Não estou atrás de um "pai" nem de um "mito".

A política no Brasil em 2018 foi definitivamente um divisor de águas, e põe divisor nisso. As pessoas perderam completamente a noção de respeito ou qualquer coerência.

E eu tenho comprovado isso nas redes sociais.

E eu? caramba... 2020 prometia viu? Depois de algumas tentativas de curso superior EAD, finalmente tinha encontrado minha vocação em um curso numa faculdade presencial: Sistemas.
Isso mesmo, a profissão do meu marido, agora seria também a minha também, e eu comecei o semestre de forma promissora, arrancando elogios dos meus professores. O coordenador do curso inclusive chegou a conversar comigo em particular, me pediu pra não desistir pois mulheres programadoras eram as melhores profissionais.

Mas a quarentena veio e fazer EAD não estava dando certo. Um curso com disciplinas complexas e com tantas responsabilidades domésticas ficou difícil de acompanhar, acabei trancando. Deus sabe de todas as coisas.
Se ano que vem estivermos perto de levar uma vida normal, eu continuo. Vou acabar me formando com 41 anos, mas a essa altura do campeonato poder fazer planos a longo prazo é um privilégio.

O ano tinha começado bem até, marido recebeu uma promoção muito boa no emprego, ele estava empolgadíssimo pela posição nova de líder de projetos, e graças a ela, estamos passando a quarentena sem dificuldade alguma, pelo contrário, parece que Deus já estava nos preparando financeiramente pra esse momento. 
Era quase que uma recompensa pela perseverança, sabe? Pelos bocados amargos que tivemos que engolir, afinal recomeçar em outra cidade não é nada fácil, com filhos então nem se fala. 
Pareço até uma boba falando de coisas banais, mas não é pra isso que trabalhamos? Já dizia Salomão: 
"é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho." Ec 3:13

Enfim.

Eu ainda tenho esperança, mas uma esperança consciente. Minha esperança é que a mentalidade das pessoas mude com relação as prioridades, bom, eu espero, sabe como é o brasileiro né? memória curta...
Enquanto isso continuo me quarentenando com a minha família. 

A diferença que sinto, se for pra colocar um antes e depois, é que hoje valorizo mais o tempo ao ar livre. Comecei uma reforma na lavanderia pra não ser somente um local onde eu jogue as roupas na máquina e volte correndo pra dentro, mas um local onde eu passe mais tempo cultivando e admirando plantas, uma mudança pequena, mas pra mim significativa.

Preciso voltar às raízes, às pequenas coisas.
Precisamos.

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