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Quarentena prolongada e surtos virtuais


Hoje faz quase 8 meses que estamos de quarentena. Parece surreal quatro pessoas passando tanto tempo em casa, juntas 24/7.
As crianças principalmente, porque ainda saio para ir ao super mercado e até já fui no shopping na época do aniversário da caçula pra comprar presente, mas eles só saem no quintal e olhe lá!

A parte mais chata é o serviço doméstico que quadruplicou, o banheiro suja mais rápido, a louça suja mais rápido, a roupa então nem se fala... eu já me estressei demais com isso, mas tento segurar o máximo possível pois sei que pra ninguém está fácil.

Essa semana marido teve que voltar a trabalhar presencialmente e ver a casa sem ele me deu uma estranha sensação de normalidade. Como se de repente o vírus simplesmente tivesse *PUFF* sumido. 

Me deu vontade de ir ao shopping, de sair, de caminhar, de comer fora... relaxar com o uso da máscara, do álcool, da higienização das compras (uma das piores partes disso tudo na rotina doméstica) mas aí a realidade vem, e não... ainda temos mais de 150.000 mortos pelo Corona no Brasil, e marido estar saindo pra trabalhar é uma necessidade e também um privilégio considerando a economia como anda.

Como eu tenho passado muito tempo online, alguma coisas acabaram acontecendo e ontem à noite eu finalmente surtei. Um surto que eu não tinha desde 2016, e achei que não aconteceria mais.

Vou tentar resumir a história: Ano passado, eu conheci 3 pessoas no World of Warcraft (o jogo online que eu fico on e off desde 2005) e tudo ia bem, a gente não se falava muito, até porque eu sabia que éramos de facções diferentes e ficar "enchendo o saco" perguntando se querem fazer algo na facção que não era a principal deles ia ser muito chato.

Até que esse ano eles vieram todos pra horda e eu vi uma oportunidade de me juntar a eles já que fazia algum tempo que eu vinha jogando sozinha, e WoW com amigos é muito melhor. Através do Twitter adicionei eles na Bnet e estava feliz da vida fazendo planos de fazer conteúdo juntos.

Eu estava numa guild muito legalzinha e vendo que elas ainda queriam fazer raid eu as chamei pra essa guild, no que elas afirmaram que estavam na guild de uma amiga. A convite delas fui conhecer a tal amiga e a guild dela.

Chegando no Discord já de cara fiquei sem graça, a tal amiga (vou chamá-la de Medusa), a Medusa falava ALTO, ria ALTO e de uma forma que parecia propositalmente forçada e acabou ficando irritante depois de um tempo, a ponto de eu ter que diminuir bem o volume dela.
A sensação que eu tive era de que ela não queria estar ali, que ela estava ali porque ela recebia ATENÇÃO. Ela era um planeta e os outros eram meros satélites que orbitavam em torno dela. Tal qual aquele estereótipo de garota popular insuportável de filme americano.

Ela suspirava e reclamava O TEMPO TODO.

Eu sempre falo pra todo mundo que me acho chata, mas meu conceito mudou ao conhecê-la. Ela era outro nível, estava em outro patamar.
No Discord o ambiente era quase escolar. Não se contava piadas, não se ria naturalmente, o clima era sempre tenso e incômodo, como se não houvesse afinidade. Não era aquela bagunça gostosa de amigos jogando juntos, era uma pessoa falando uma coisa e todos repetindo, parecia uma seita cheia de gente hipnotizada. Ela não transformava as pessoas em pedra, mas em robôs lacrantes. 
Ela falava uma palavra, e todos repetiam, era estranho demais!

O Co-GM da guild era mais legalzinho, e sempre tava me mandando mensagem, por causa dele eu insisti um pouco mais. Mas uma pessoa só não era capaz de me manter ali, a presença da Medusa era tão marcante quanto um peido depois de um jato de perfume. O perfume ainda está ali, mas o peido estraga a experiência.

Continuei dando uma chance, até que descobri que por causa da Medusa, a menina que nos apresentou terminou uma amizade real de anos. 
Não vou dar maiores detalhes pois a história não é minha, mas eu a absorvi como se fosse. Eu me vi em cada detalhe que ele contou a respeito daquilo tudo, já que me lembrou a minha amizade de 11 anos que terminou por motivos bobos (eu contei em outro post) em 2019.

Somou-se essa história com as tentativas frustradas de socializar com a Medusa, a militância exagerada, a falta de afinidade, e o não conseguir me afastar naturalmente (já estava tentando há semanas!) e eu surtei. Bloqueei, desativei Twitter, mudei btag, e até mudei de número, já que sair do grupo de whats ia atrair pra mim uma atenção desnecessária. 

Mas era pra tanto? Talvez não pareça, como muita gente diz por aí: é só um jogo, deleta tudo e f*d*-se né? Mas pra mim tudo é mais complicado e eu preciso respeitar meu processo.
A quarentena só EXACERBOU minha introversão e eu que já detestava confronto, passei a fugir dele a qualquer custo.

E como mexe comigo esse tipo de coisa viu... fazia muito tempo que eu simplesmente não surtava e sumia assim. Sei que é estranho, e eu queria que fosse menos dramático, mas acho que no final das contas, nesse caso, o fim justificam os meios, minha saúde mental vem em primeiro lugar, ainda mais nas circunstâncias atuais.

Adeus Medusa!

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Quarentena, Internet e amizades liquidas


Hoje faz 3 meses que estamos em casa.
Continuamos saindo apenas para ir ao mercado, e o lugar mais diferente que fui desde março é a loja que vende café em grãos aqui na cidade, já que nos acostumamos a moer na hora e fazer o café na prensa francesa.
Coisas da quarentena, sabe?

Tenho passado mais tempo online também, tanto que pela primeira vez em 16 anos, eu voltei a ver anime e gostar, lentamente, mas o suficiente pra deixar meu marido (que ama anime) bem empolgado e assinar o Crunchyroll 
Também tenho jogado mais, meu horário de sono desregulou bastante por conta disso.
Estava indo dormir por volta da 5, 6 da manhã e acordando entre 11 e meio dia.

Digo que estava pois faz dois dias que decidi voltar a me organizar e dormir no maximo meia noite e tenho acordado entre 6 e 7 da manhã, tem sido ótimo voltar a ver os primeiros raios de sol ^^
Acabei comprando uma bicicleta pra andar de manhã com meu marido, mas como estamos em época de chuvas, os poucos dias de sol aproveito pra lavar roupa, senão mofa tudo devido a umidade.

Outra coisa que tenho feito bastante é usar as redes sociais, já usava claro, mas bem mais do que nos últimos anos. No íncio de março eu decidi voltar pro Instagram. Como o meu antigo tem muitas fotos pessoais e queria manter assim, eu deletei todo mundo, deixando apenas eu, meu marido e meus pais pra fazer dessa conta um arquivo de fotos e vídeos da família.
No outro deixei amigos, parentes e conhecidos, lá não posto fotos da minha família, apenas banalidades.

Desde o começo do ano que eu decidi parar de postar fotos da família. Já tem algum tempo que eu percebi que postar foto de momentos com a família só serviam para aguçar a curiosidade alheia, ou satisfazer alguma vaidade pessoal, uma necessidade de mostrar aos outros uma realidade que muitas vezes não existe.
Não era nosso caso, sempre fomos discretos, mas conheci muitas famílias que não se davam bem e na internet pareciam perfeitas.
Fora a questão de um problema crescente: a super exposição de crianças. Há algum tempo assisti stories de uma psicóloga forense que alertava os pais que ela já teve que lidar com muitos pedófilos que confessaram existir um mercado de fotos roubadas de crianças, que os pais inocentes, postam nas redes sociais.
Não sei se é exagero ou verdade, pelo sim pelo não, parei de postar. No começo eu ficava agoniada, pois via amigos postarem suas viagens e brincadeiras com seus filhos que faziam parecer q eu deixava os meus largados sem atenção, mas logo entendi que o que importa são os momentos que passamos e não o que os outros pensam que somos, ou como somos. Por essa razão meu Facebook está abandonado.

Ano passado terminei uma amizade de 11 anos. Mas já era de se esperar, tinha meses que ele vinha jogando indiretas por causa da minha fé, meus valores e meu posicionamento. Já não concordávamos em mais nada. Desde o finalzinho de 2015 quando o namoro mais sério que ele teve terminou, ele mudou muito.

Depois de bloquear fiquei pensando se deveria ter explicado, cheguei a me sentir culpada.
Até pouco tempo atrás quando depois de muito custo pois não lembrava seu usuário, fui atrás e vi que ele me mencionou algumas vezes pra me ofender. Não sei se merecia, pois ele já estava me ofendendo indiretamente há algum tempo, ele só decidiu fazê-lo diretamente agora, pensando que eu talvez não leria? não sei dizer.

Sobre escrever achando que ninguém vai ler, é complicado. Quando conhecemos alguém nas redes sociais, penso que a internet se torna pequena. Por mais que se bloqueie alguém em algum lugar, se a pessoa for detalhista ela vai perceber pela forma que escrevemos quando criamos outras contas, principalmente no Twitter, ou se ainda temos algum interesse em comum, a gente acaba se esbarrando.

Pra mim é normal perder a afinidade, não que não vá doer caso haja afastamento, mas as pessoas evoluem, tem outros interesses, etc. Algumas pessoas se apegam mais, criam expectativas, e quando isso acontece a meu respeito, me deixa um pouco assustada, e dependendo da situação eu acabo me afastando.

Será que o confinamento vai render novas amizades, ou me isolar ainda mais? 
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Brasil 2020 e minha quarentena


Não saberia por onde começar a descrever o que está sendo esse início de ano pra mim. 
Caramba! parece que anos estão passando em forma de meses!

A vida como a conhecemos não é e acho que, por muito tempo, não será mais a mesma.

Não sou muito boa com dados históricos, mesmo que recentes, mas tudo parece ter começado em novembro ou dezembro de 2019 em Wuhan na China. Um tipo de vírus Corona vindo de um morcego se instalou em uma pessoa, e essa pessoa contagiou outras pessoas e rapidamente a saúde entrou em colapso na China.

Ok, coisas doidas acontecem no mundo, sempre aconteceram, mas longe da gente. Todos os filmes de tragédia que assistimos, os documentários, as historias de catástrofes acontecem o tempo todo, muito longe da gente, então eu digo por mim, me acostumei a pensar que nada disso chegaria aqui no Brasil, nós já tínhamos nossos próprios demônios: corrupção, pobreza, etc

Mas chegou. Graças a globalização e um mundo sem fronteiraas, o vírus chegou ao Brasil (e ao mundo todo) e hoje estamos oficialmente em quarentena (na minha cidade pelo menos) desde o dia 16/03
Quase 2 meses saindo de casa para ir apenas ao supermercado comprar comida e estocar. 
Saindo o mínimo de vezes possível, gastando praticamente 3 vezes mais o que costumávamos gastar em compras pois o medo do contágio me fez deixar um pouco de lado a pesquisa de preço, a leitura calma de ingredientes em relação ao custo benefício e as etiquetas que diziam em letras pequenas que se levasse três daquele mesmo item obteria algum desconto.

Poderia colocar dados sobre contagiados, mortos e recuperados, mas uma simples busca no Google vai se encarregar disso, ainda assim, apenas para fins de comparação para a próxima vez que eu volte a esse post, no dia de hoje 07/05/20, o Brasil contava com 8.588 mortos.

Além disso, soma-se ao problema uma instabilidade política que, na minha leiga opinião, se instaurou em 2002. Mas quem se importa? o Brasil tem histórico de escolher o menos pior entre os picaretas e colocar nele uma fé quase infantil.

A última vez que exerci meu "direito" de votar foi em 2002 justamente, quando numa disputa entre direita social democrata e esquerda, votei no primeiro. Decepcionada com a vitória do segundo, inconscientemente desiludida, desisti de votar, então em 2006, 2010, 2014 e 2018 escolhi nem sair de casa. Estou com o título cancelado há sabe Deus quanto tempo.

Ainda que, em 2018, mesmo sabendo que não contribuiria com meu voto, de certa forma fiquei aliviada pelo partido protagonista da maior crise de corrupção do Brasil não ter vencido, e torci para que dessa vez o Brasil experimentasse um pouco do progresso semi-liberal que eu tanto invejava nos EUA.

Mas o ego do político brasileiro é sem precedentes, e Bolsonaro esqueceu de todas as promessas de campanha e hoje ele trabalha 24/7 para proteger os filhos das garras da pífia justiça brasileira.

Igualmente se alguém me perguntar o que mais desprezo na política de Bolsonaro hoje, é o exercito de defensores cegos tal qual eram/são os Lulistas. Alguns me chamam isentona nas redes sociais, até gente que eu gostava de trocar algumas ideias, mas preferiram proteger seu político de estimação do que manter uma amizade com alguém que eles definem como "em cima do muro".

Mas eu não sou isenta, sei bem de que lado eu estou. Do meu, como cidadã, que pago impostos altos demais pra bater palma pra político que não trabalha. Não estou atrás de um "pai" nem de um "mito".

A política no Brasil em 2018 foi definitivamente um divisor de águas, e põe divisor nisso. As pessoas perderam completamente a noção de respeito ou qualquer coerência.

E eu tenho comprovado isso nas redes sociais.

E eu? caramba... 2020 prometia viu? Depois de algumas tentativas de curso superior EAD, finalmente tinha encontrado minha vocação em um curso numa faculdade presencial: Sistemas.
Isso mesmo, a profissão do meu marido, agora seria também a minha também, e eu comecei o semestre de forma promissora, arrancando elogios dos meus professores. O coordenador do curso inclusive chegou a conversar comigo em particular, me pediu pra não desistir pois mulheres programadoras eram as melhores profissionais.

Mas a quarentena veio e fazer EAD não estava dando certo. Um curso com disciplinas complexas e com tantas responsabilidades domésticas ficou difícil de acompanhar, acabei trancando. Deus sabe de todas as coisas.
Se ano que vem estivermos perto de levar uma vida normal, eu continuo. Vou acabar me formando com 41 anos, mas a essa altura do campeonato poder fazer planos a longo prazo é um privilégio.

O ano tinha começado bem até, marido recebeu uma promoção muito boa no emprego, ele estava empolgadíssimo pela posição nova de líder de projetos, e graças a ela, estamos passando a quarentena sem dificuldade alguma, pelo contrário, parece que Deus já estava nos preparando financeiramente pra esse momento. 
Era quase que uma recompensa pela perseverança, sabe? Pelos bocados amargos que tivemos que engolir, afinal recomeçar em outra cidade não é nada fácil, com filhos então nem se fala. 
Pareço até uma boba falando de coisas banais, mas não é pra isso que trabalhamos? Já dizia Salomão: 
"é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho." Ec 3:13

Enfim.

Eu ainda tenho esperança, mas uma esperança consciente. Minha esperança é que a mentalidade das pessoas mude com relação as prioridades, bom, eu espero, sabe como é o brasileiro né? memória curta...
Enquanto isso continuo me quarentenando com a minha família. 

A diferença que sinto, se for pra colocar um antes e depois, é que hoje valorizo mais o tempo ao ar livre. Comecei uma reforma na lavanderia pra não ser somente um local onde eu jogue as roupas na máquina e volte correndo pra dentro, mas um local onde eu passe mais tempo cultivando e admirando plantas, uma mudança pequena, mas pra mim significativa.

Preciso voltar às raízes, às pequenas coisas.
Precisamos.

As montanhas trovejantes e o companheiro improvável


No dia 17/01/2019 as 3 da manhã, terminando de upar minha hunter no WoW, me veio um conto a mente.
Escrevi em outro blog, que já não uso, apenas para este fim: contar histórias das minhas aventuras no World of Warcraft. Mas essa vida paralela e virtual já está tão entranhada em mim que não me convém mais separá-la. Pois aí está, um conto real baseado em uma fantasia
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Desde que deixei meu lar em Alta Montanha para explorar o então desconhecido continente de Kalimdor, tentei encontrar um companheiro leal que me acompanhasse em minhas caçadas.

Minha família vem treinando águias há gerações, e como presente de graduação da escola de caçadores, minha treinadora me presenteou com uma ave tradicional de Alta Montanha, seguindo todos os princípios ensinados por nosso líder e mentor, Lasan Chifre Celeste.

Dei-lhe o nome de Pena Marrom.

Infelizmente, nas perigosas e áridas terras estrangeiras por onde passei, Pena Marrom sofria fora de seu habitat. Preocupada com seu bem estar, decidi levá-la de volta e deixei-a repousando em meu estábulo.

Foram incontáveis dias enfrentando fome, sede, frio ou calor extremo, lutando contra monstros que por um momento me fizeram duvidar de minha capacidade e resiliência.

Pedia todos os dias a An´she forças para continuar e para que também me permitisse encontrar um companheiro fiel para minhas batalhas, que fosse tão robusto e leal como o próprio Eche´ro.

Não, não, vejam bem, não era esse tipo de companheiro que eu pedia. Ainda que não estaria nada mal um par de braços fortes me envolvendo nas noites mais frias, mas meu pedido era por um aliado  sólido e obediente que estivesse ao meu lado, que me inspirasse e trouxesse a esperança da volta ao lar.
A mesma esperança que nasce junto com o coração de cada tauren que traz em suas raízes a força de Huln.

Claro que domei vários animais preciosos ao longo da minha jornada. Dinossauros, demossauros, serpentes, aranhas, pássaros exóticos e até um unicórnio azul! haha! deixa o Chifre Celeste saber disso!


Mas An´she não me ignorou, e quando menos esperava, me respondeu.
Já vou chegar lá.

Em uma visita despretensiosa a minha velha cidade, sentei a sombra de uma árvore para descansar às margens da Curva do Rio, quando uma das anciãs da nossa tribo se aproximou. Uma exímia caçadora nos tempos de outrora, entre uma história e outra, me contou sobre uma lenda.

Disse que havia uma criatura majestosa e misteriosa que habitava as montanhas trovejantes de Stormheim, a terra dos primitivos humanos gigantes. Se assemelhava em aparência e coragem a Eche´ro, mas que nenhum tauren havia sido capaz de encontrá-lo, quanto mais domá-lo!

Apesar de ser terras vizinhas, ouvi histórias tão assustadoras sobre o lugar que o medo me impedia de cruzar os céus. Sim, Lasan talvez teria vergonha, afinal uma caçadora descendente da tribo de Chifre Celeste não deveria se deixar intimidar por histórias, mas o medo era real.

Naquela noite não consegui dormir.

Não podia deixar de pensar em como a minha jornada havia sido difícil até ali e eu merecia, sim, modéstia às favas, eu merecia aquela "caça".

A anciã me disse que se ele existisse, ele não ficaria a disposição o dia todo, ele aparecia e desaparecia rapidamente, geralmente ao atardecer, antes do sol se pôr.
Esperei até um pouco depois do meio dia, me vesti e saí. Procurei não pensar muito, para não desistir da ideia.

A viagem foi turbulenta, cheguei até o pico da montanha e não estranhei tanto a presença das cabras como estranhei a dos esquilos. Se nem árvores havia por ali?!

O lugar estava vazio, ainda bem! ou não conheciam a lenda, ou não havia mesmo concorrência.
Sentei-me e decidi preparar algo para comer, vai que ele aparece, preciso estar bem alimentada! Não sei o que me espera.

Será dócil? será agressivo? Será que ele me daria um coice que poderia me atirar ao abismo?


Foi quando escutei um ruido. O que é isso? Eu não sabia o que esperar, e estar sozinha no pico de uma montanha em Stormheim não era o que eu poderia chamar de reconfortante!

Quem se aproxima?
Foi quando como em um sonho, ele se materializou ali, bem na minha frente! eu fiquei extasiada, sem ação, cadê minha câmera? 

Ah deixa pra lá, não importa. A prova logo estará comigo. Ele existe!

E agora, ele é meu.

Aquele momentos que antecederam, agora são memórias.

Não lembro como foi, só sei que aconteceu.

O fato é que eu o tenho, a imagem e semelhança de Eche´ro, este é eterno, eterno enquanto eu viver.

Valeu a aventura, o frio, a altura e a espera.

Seu nome é Majestik, meu melhor amigo.

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