Quarentena, Internet e amizades liquidas
12:10:00
Continuamos saindo apenas para ir ao mercado, e o lugar mais diferente que fui desde março é a loja que vende café em grãos aqui na cidade, já que nos acostumamos a moer na hora e fazer o café na prensa francesa.
Coisas da quarentena, sabe?
Tenho passado mais tempo online também, tanto que pela primeira vez em 16 anos, eu voltei a ver anime e gostar, lentamente, mas o suficiente pra deixar meu marido (que ama anime) bem empolgado e assinar o Crunchyroll
Também tenho jogado mais, meu horário de sono desregulou bastante por conta disso.
Estava indo dormir por volta da 5, 6 da manhã e acordando entre 11 e meio dia.
Digo que estava pois faz dois dias que decidi voltar a me organizar e dormir no maximo meia noite e tenho acordado entre 6 e 7 da manhã, tem sido ótimo voltar a ver os primeiros raios de sol ^^
Acabei comprando uma bicicleta pra andar de manhã com meu marido, mas como estamos em época de chuvas, os poucos dias de sol aproveito pra lavar roupa, senão mofa tudo devido a umidade.
Outra coisa que tenho feito bastante é usar as redes sociais, já usava claro, mas bem mais do que nos últimos anos. No íncio de março eu decidi voltar pro Instagram. Como o meu antigo tem muitas fotos pessoais e queria manter assim, eu deletei todo mundo, deixando apenas eu, meu marido e meus pais pra fazer dessa conta um arquivo de fotos e vídeos da família.
No outro deixei amigos, parentes e conhecidos, lá não posto fotos da minha família, apenas banalidades.
Desde o começo do ano que eu decidi parar de postar fotos da família. Já tem algum tempo que eu percebi que postar foto de momentos com a família só serviam para aguçar a curiosidade alheia, ou satisfazer alguma vaidade pessoal, uma necessidade de mostrar aos outros uma realidade que muitas vezes não existe.
Não era nosso caso, sempre fomos discretos, mas conheci muitas famílias que não se davam bem e na internet pareciam perfeitas.
Fora a questão de um problema crescente: a super exposição de crianças. Há algum tempo assisti stories de uma psicóloga forense que alertava os pais que ela já teve que lidar com muitos pedófilos que confessaram existir um mercado de fotos roubadas de crianças, que os pais inocentes, postam nas redes sociais.
Não sei se é exagero ou verdade, pelo sim pelo não, parei de postar. No começo eu ficava agoniada, pois via amigos postarem suas viagens e brincadeiras com seus filhos que faziam parecer q eu deixava os meus largados sem atenção, mas logo entendi que o que importa são os momentos que passamos e não o que os outros pensam que somos, ou como somos. Por essa razão meu Facebook está abandonado.
Ano passado terminei uma amizade de 11 anos. Mas já era de se esperar, tinha meses que ele vinha jogando indiretas por causa da minha fé, meus valores e meu posicionamento. Já não concordávamos em mais nada. Desde o finalzinho de 2015 quando o namoro mais sério que ele teve terminou, ele mudou muito.
Depois de bloquear fiquei pensando se deveria ter explicado, cheguei a me sentir culpada.
Até pouco tempo atrás quando depois de muito custo pois não lembrava seu usuário, fui atrás e vi que ele me mencionou algumas vezes pra me ofender. Não sei se merecia, pois ele já estava me ofendendo indiretamente há algum tempo, ele só decidiu fazê-lo diretamente agora, pensando que eu talvez não leria? não sei dizer.
Sobre escrever achando que ninguém vai ler, é complicado. Quando conhecemos alguém nas redes sociais, penso que a internet se torna pequena. Por mais que se bloqueie alguém em algum lugar, se a pessoa for detalhista ela vai perceber pela forma que escrevemos quando criamos outras contas, principalmente no Twitter, ou se ainda temos algum interesse em comum, a gente acaba se esbarrando.
Pra mim é normal perder a afinidade, não que não vá doer caso haja afastamento, mas as pessoas evoluem, tem outros interesses, etc. Algumas pessoas se apegam mais, criam expectativas, e quando isso acontece a meu respeito, me deixa um pouco assustada, e dependendo da situação eu acabo me afastando.
Será que o confinamento vai render novas amizades, ou me isolar ainda mais?

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