Não precisa mudar para caber, transborde!

23:36:00

E aí gente? Tudo bem?

Meu primeiro post no blog, que na verdade foi um desabafo sobre minha introversão, teve uma ótima repercussão, e eu fiquei feliz que tantas pessoas tenham se sentido identificadas, e ao mesmo tempo preocupada. 

Preocupada?
Sim, é impressionante como a sociedade nos força a passarmos mais tempo tentando agradar, encaixar, caber, que nos esquecemos de conhecer melhor a pessoa que mais importa: nós mesmas.

Isso aconteceu comigo. Tentar mudar pra encaixar. Pra caber.

Mas a gente não muda de verdade, né? não consegue. Quando a gente chega em casa, fica aquela sensação de vazio, de que algo não está bem. Ficamos exaustas, cansadas, uma fadiga eterna, porque o mental afetou o físico, só que a gente não sabe disso, a gente não sabe explicar o que é.


A mãe/pai cobra, o irmão/irmã tira um barato. A amiga acha que você está na "bad", que você só precisa sair mais. Aquela fulana que você conhece virtualmente te acha "esquisita" e você nem sabe como se classificar diante desses rótulos que as pessoas colocam, só porque você não se encaixa nos padrões delas. 

Não é assustador que convivamos com as pessoas diariamente e nunca paremos para conhecê-las de fato? principalmente hoje, na era da internet, onde as informações viajam com uma velocidade tão impressionante, que não dá nem tempo de acompanhar, caso você tenha ficado 8 horas enfiada em um escritório trabalhando ou numa sala estudando.

É como se passássemos pela vida tendo relacionamentos rasos e vazios com todo mundo. Seja no real ou no virtual. É um tal de AMIGAAAAA pra cá, AMADAAA pra lá, e na verdade aquelas conversas superficiais não levam a lugar algum, não acrescentam nada. 

Isso acontece muito na vida adulta. 

As amizades da escola, já não fazem mais sentido, se é que um dia fizeram. Vocês já não tem mais nada em comum: Emprego diferente, faculdade diferente. Alguns casam cedo, outros engravidam cedo. Outros se mudam pra longe.

E os colegas de trabalho? alguns são estressadinhos ou massantes, outros parece que não nasceram com uma célula de seriedade no corpo. Passam o dia contando piadinhas, e atrapalhando a produtividade alheia. 

Trabalhei no dpto de marketing de uma multinacional uma vez, em 2013, era o emprego dos meus sonhos, pois sempre quis trabalhar na região da Paulista. No entanto eu tinha uma chefe que todos os dias chegava contando histórias sobre ela e o namorado. Parecia uma matraca, não parava de falar, e o pior: EU TINHA QUE PRESTAR ATENÇÃO E RIR, porque senão ela ficava me olhando de canto, e ficava azeda comigo o resto do dia. Fora as olhadelas por cima da "paredinha" de 30 centímetros que nos separava. Ela era uma extrovertida, e eu... adivinhem?

Como lidar? Eu não achava graça em nenhuma história! Queria trabalhar! que coisa chata! óbvio que não durei muito nesse emprego, com o tempo fiquei tão saturada, que parei de render e Graças a Deus fui demitida, uma pena porque eu realmente gostava da empresa e das minhas colegas do dpto de T.I, que foi com quem acabei fazendo amizade.

O mais engraçado é que eu entrei na empresa super motivada. A apresentação da empresa que o RH tinha feito ressaltou que lá seria um ambiente de respeito, tranquilo, onde o foco seria o "Fator Humano". E minha chefe tinha tudo, menos respeito por mim ou por minha personalidade. 

O fator humano não existiu. Não houve respeito. Parece que não respeitam pessoas caladas ou tímidas nas empresas. Pelo contrário, nos tem como bobos e preferem nos excluir.

Não pensam que quem fala menos, observa mais, e tem uma capacidade analítica muito melhor que aquele sujeito que fala gritando e convoca 345 reuniões pra não resolver absolutamente nada.

Nós, introvertidos pensamos em silêncio para tomarmos decisões melhores. Podemos não ser os melhores chefes, mas definitivamente somos melhores líderes. E o que é melhor? um chefe ou um líder?

Uma pessoa que manda, ou alguém que analisa a situação, escuta, sente o ambiente e depois toma uma decisão em conjunto com a equipe? Até quando vamos nos sentir excluídos por não gostarmos de tagarelar? 

Mas eu nunca mais deixei que isso acontecesse. Primeiro porque não foi a primeira vez que fui demitida por conta da minha personalidade, e segundo porque tenho contas a pagar, oras! Comecei a me valorizar e transformar meus pontos fracos (pra eles né?!) em pontos fortes.

Para você que leu o texto e também se cansou de ter que "mudar para encaixar", saiba, você não precisa mudar nada se não quiser, e você não está sozinha nisso.

Hoje se fala tanto em empoderamento das minorias, mas já percebeu como ninguém fala em empoderar um introvertido, sejam eles tímidos ou não?

Então vamos nos empoderar!

Vamos começar a mudar isso, e deixar o estigma de lado, não somos avoados, nem anti sociais, nem estranhos. Somos seres pensantes, e cheios de conteúdo.
Somos tão completos, que gostamos da nossa própria companhia e raramente estamos parados. Temos nossos blogs, nossas artes, nossa fotografia, nossa caminhada, tanto o que fazer e o tempo sempre parece curto!


Você precisa gostar de você, do jeito que você é, e entender que a sua missão vai mais além de agradar os outros. E não digo isso com ares de superioridade, longe de mim, mas digo no intuito de que você se sinta confortável e saiba que se você é assim, é por uma razão, o mundo precisa de mais silêncio, de gente que observe os pequenos detalhes e se alegre com coisas simples.

Você tem mais conteúdo do que pensa. Use isso a seu favor!
Você tem assunto sim! olha quantas coisas legais passa pela sua cabeça!

Vamos começar a usar nossa personalidade a nosso favor, o mundo não é de quem fala mais alto, é de quem sabe fazer bom uso de suas qualidades.

PS: Já descobriu sua tipologia segundo Myers Briggs? Super recomendo! Isso vai dar uma forcinha para identificar suas melhores qualidades e trabalhar em torno delas. faça quantas vezes forem necessárias até sentir que a descrição se encaixa com o que você é ou como se sente.

Um beijo e até a próxima! ♥


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