Valorizar coisas, ou pessoas?
15:16:00
Essa semana vi um post em um grupo do Facebook que me deixou realmente triste. Uma moça, americana, contava que havia acabado de comprar um livro de organização do lar, cuja autora é a dona do grupo inclusive, mas que não pôde chegar a ler porque sua casa havia acabado de ser inundada, atingida pelo furacão Matthew.
O furacão fez muitas vítimas fatais, e em comparação aos outros casos, essa ainda pode ser grata por poder reconstruir sua vida.
Ela perdeu tudo. O livro, sua coleção de planners, suas roupas, móveis, suas memórias. E isso me gerou um sentimento de revolta, tristeza mesmo, sabe? Ela teve que sair de lá, abandonando tudo, porque não tinha como tirar a água da casa, o jeito era esperar escoar sozinho, deixar que a natureza faça seu trabalho, uma vez que nós é que estamos no meio, atrapalhando...
O furacão fez muitas vítimas fatais, e em comparação aos outros casos, essa ainda pode ser grata por poder reconstruir sua vida.
Ela perdeu tudo. O livro, sua coleção de planners, suas roupas, móveis, suas memórias. E isso me gerou um sentimento de revolta, tristeza mesmo, sabe? Ela teve que sair de lá, abandonando tudo, porque não tinha como tirar a água da casa, o jeito era esperar escoar sozinho, deixar que a natureza faça seu trabalho, uma vez que nós é que estamos no meio, atrapalhando...
Esse caso em particular se encaixou bem em uma situação que havia acabado de presenciar. Ela estava no grupo, se lamentando especificamente porque não pôde ler o livro que acabara de comprar.
Não é difícil me pegar pensando (até porque eu penso demais o tempo todo) em como algumas vezes permiti e me permiti estar envolvida com pessoas que não davam valor ao intangível. Que passavam seus dias menosprezando as pessoas em detrimento de objetos. Gente manipuladora, materialista e interesseira.
Coisas são coisas. Coisas são compradas, e perdem o valor assim que saem da loja. Coisas estragam. Coisas se perdem.
E a mesma pessoa que determina o valor das coisas, se sente no direito de determinar também o valor de alguém. Mas como, se todos viemos e vamos para o mesmo lugar?
Para que perder tempo interpretando um papel tão supérfluo nessa vida, que por si só já é rasa e com tão pouco sentido?
O filho cresce, as rugas aparecem, a vida passa, e o que a pessoa prefere fazer? passar o dia todo com o celular na mão, ou em frente a um computador falando da vida alheia, julgando quem ao menos conhecem. Valorizando aquilo que não poderá nos acompanhar depois que nossos dias nessa Terra terminarem.
Como eu disse, já fiz e até já fui vítima disso. Não sou perfeita não, mas a vida não é contada em quantos tropeços você dá mas sim em quantas vezes você se levanta. E aprende.
E de todos os tropeços que já dei, às vezes que levantei foram as que realmente me fizeram sentir que eu estava perdendo algo maior, que eu estava com a visão nublada, andando e valorizando as pessoas erradas.
Se não somos o que as pessoas dizem, também não podemos andar por aí rotulando as pessoas. Isso é um exercício constante.
Coisas não tem importância. Elas podem ser necessárias, mas nem mesmo banhadas em ouro puro, elas deixarão de ser apenas isso: coisas.
Não podemos passar a vida dando significado a elas. Elas passarão. Herança mesmo não é o bem que nós acumulamos em vida, mas o legado que deixamos para os nossos, para os que amamos. O resto é detalhe, é uma mãozinha, uma guinada para manter um padrão decente nessa sociedade capitalista.
Que marca queremos deixar neste mundo, nas pessoas?
Superficialidade, fofoca, ódio disfarçado de ativismo?
Superficialidade, fofoca, ódio disfarçado de ativismo?
Pense bem. A vida é curta demais.


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