Faz bem aprender a dizer "Não"

02:14:00


Esses últimos meses, se não todo esse ano, foi marcado por muitas tensões. Não só minhas, mas praticamente no mundo todo.

Temos assistido com espanto a ação de grupos terroristas, a guerra na Síria e o drama dos refugiados, desastres naturais, o drama das acirradas eleições americanas, nosso impeachment, a desgraça de guerrinha entre esquerda-direita com gente adotando políticos de estimação como se eles sequer soubessem da nossa mera existência.


Tanto ódio gratuito, tanta hostilidade em todo o lugar, que percebo que muitas pessoas estão cada vez mais tentando adotar uma postura pacífica, e estão se propondo a reclamar menos e dizer mais "sim" para as coisas, para a vida.

Mas existe uma outra pequena parcela, que antes disso, já era "de boas". Essa parcela que evitava conflitos e eram chamados de "isentões". Sim nós que fazíamos malabarismos para agradar a gregos e troianos, pois gostávamos de ter amigos dos dois lados. 
Tínhamos nosso lado "Jaiminho, o carteiro" aflorado e sempre queríamos evitar a fadiga!

Pra que brigar se podemos comer?

Passamos a vida inteira dizendo sim. Dizíamos sim para a professora, para aquela coleguinha da escola folgada que pegava nosso lápis de cor e não devolvia, para o menino que mexia com a gente, mas não era ele que acabava de castigo...

Dizíamos sim para nossos pais, irmãos, e mesmo depois de grandes, dizíamos tanto sim para nossos amigos, colegas de trabalho, que acabávamos em cada programa de índio que pela madrugada viu...

Ainda somos assim. Somos os bonzinhos, os "trouxas". Sabemos dar bons conselhos, porque sabemos ouvir. Sentimos empatia e amamos tudo o que é fofinho. Vemos beleza até naquele monte de matinho que cresce no quintal, porque tem formato de trevo.
Queremos levar todos os gatíneos e catioríneos para casa, porque simpatizamos com seu abandono. Temos vontade de cuidar de todos os meninos fofos que falam que não conseguem encontrar uma menina legal, não porque sejamos "muito dadas" se é que me entendem, mas porque nossa empatia quer abraçar o mundo e cuidar dele...


Absorvemos tudo a nossa volta, sentimos tudo, e com isso acabamos absorvendo também a negatividade, a toxicidade, a inveja, e toda carga que aqueles que eram do time do "não" conseguiram se livrar.

Mas a gente cresce... e percebe que uma vida assim, é um desperdício! Acabamos doentes, fracos, confusos!
E apesar de que ficamos felizes em fazer os outros felizes, sempre terão aqueles que irão abusar, se aproveitar e nos drenar... drenar tudo de bom que temos em nós.

Mas antes que isso aconteça, temos que aprender a amadurecer e dizer não. Pessoas como nós, sensíveis, "feelers" por natureza, precisamos nos fortalecer, cuidar de nós mesmos.

E digo por experiência, isso pode ser libertador! até porque nadar contra a corrente se tornou um dos meus hobbies preferidos. 

Dizer não tem seu lado bom e ruim também. Afinal as pessoas que nos rodeiam sempre estiveram tão acostumadas a se beneficiar da nossa submissão, que chegam a estranhar e até rotular nossos atos como "egoísmo". Alguns se afastam.

Aprender a dizer não, me fez perceber quem eram meus verdadeiros amigos. Quem estava do meu lado por quem eu era e não pelo que eu poderia proporcionar. O número diminuiu, mas a qualidade aumentou.

Minha auto estima aumentou também. Me sinto mais forte, mais decidida e mais racional. Apesar de ainda ser sensível, de ainda gostar de ajudar aos outros, hoje posso discernir o que vale a pena aceitar e o que não. O que manter, e o que deixar ir. 

Isso é algo que considero importantíssimo! Aprender a dizer não nas ocasiões certas, traz uma sensação de poder, de independência.

Então, sim, a minha resolução de ano novo é dizer mais "nãos" e cuidar mais de mim, mais da minha vida e de quem realmente se importa com meu bem estar.

Mas ainda quero continuar evitando a fadiga 😉

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